terça-feira, 19 de março de 2013

Adriano Diogo: Comissão da Verdade tem que apurar responsabilidade da imprensa na ditadura



no Blog da Cidadania

Nas últimas semanas, a imprensa tem veiculado que a Comissão da Verdade, que apura o colaboracionismo de agente públicos e privados com a ditadura militar que vigeu no Brasil entre 1964 e 1985 a fim de produzir um relatório histórico, está investigando a participação de empresários e até de entidades dirigentes do futebol com aquele regime.

Todavia, até o momento a Comissão da Verdade não divulgou se irá apurar a atuação de certos agentes privados que tiveram participação preponderante para a efetivação do golpe de 1964 e para sua sustentação nos anos seguintes, até que a repressão aumentasse ao ponto de que aqueles que pediram e sustentaram a ditadura entendessem que em ditaduras só quem ganha é o ditador.

Para entender como é possível que uma Comissão que pretende apurar a verdade esteja, aparentemente, deixando de fora justamente o setor da sociedade que trabalhou com maior êxito e mais ostensivamente para a implantação do regime autoritário no Brasil dos anos 1960, o Blog da Cidadania recorreu ao presidente da Comissão Estadual da Verdade do Estado de São Paulo e da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa paulista, o deputado Adriano Diogo (PT-SP).

Leia abaixo, portanto, a entrevista que o deputado estadual em questão deu ao Blog da Cidadania nesta terça-feira, 19 de março de 2013.

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BLOG DA CIDADANIA – Deputado Adriano Diogo, bom dia. O senhor preside a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo e a Comissão Estadual da Verdade que funciona naquela Casa, correto?

ADRIANO DIOGO – Sim, mas tenho que explicar que a Comissão Estadual da Verdade não é uma Comissão de Estado, é uma Comissão criada no âmbito da Assembleia Legislativa. Então, a partir da Assembleia Legislativa nós criamos a Comissão da Verdade do Estado de São Paulo.

Não é um projeto de lei, é um projeto de resolução. É que a Comissão adquiriu tal dimensão que as pessoas acham que é do Estado de São Paulo, mas ela não teve apoio nenhum do governo do Estado. Nós trabalhamos, só os deputados, no âmbito da Assembleia Legislativa.

BLOG DA CIDADANIA – Deputado, a imprensa tem veiculado que a Comissão Nacional da Verdade está investigando a atuação de vários setores da sociedade durante a ditadura de uma forma colaborativa.

Haveria empresariado envolvido. Fala-se claramente na Folha, hoje, sobre a FIESP e há pouco [em off] o senhor me falou da relação de entidades e pessoas do futebol com a mesma ditadura, sobretudo do futebol paulista.

Mas há um setor, deputado, que teve uma intensa correlação com a ditadura e sobre o qual, até agora, não se falou nada.

Então, muito sucintamente, gostaria que o senhor dissesse como é que fica a atuação da imprensa, da grande imprensa no âmbito do golpe, naquele momento do golpe, e na posterior sustentação daquele golpe que grande parte da imprensa, da grande imprensa teve durante a ditadura e com a ditadura.

A gente sabe que vários meios de comunicação – imprensa escrita, imprensa eletrônica – tiveram relações com a ditadura e, até agora, não se falou nada disso na Comissão da Verdade. Isso não vai ser apurado?

ADRIANO DIOGO – O golpe foi dado com apoio total da imprensa. Total. O único jornal de grande circulação que ficou contra o golpe foi o jornal Última Hora. É claro que os Bloch [revista Manchete] foram muito cautelosos… Mas, na grande imprensa, o golpe foi alardeado e bancado, principalmente nos primeiros anos [da ditadura], por muitos setores da imprensa.

O Estadão e o Jornal da Tarde, de apoiadores da ditadura, do golpe, de apoiadores do Ademar de Barros e daMarcha da Família com Deus pela Liberdade – que era um absurdo, era o golpe –, acabaram atingidos pela censura.

O Estadão e O Globo foram jornais importantíssimos para a decretação do golpe e a sua sustentação, o que não significa que os jornalistas dessas empresas fossem golpistas. Foram os patrões deles.

Aquele jornal Shopping News ou City News, tinha um jornalista que escrevia artigos contra o Wladimir Herzog, contra o Sindicato dos Jornalistas e contra a TV Cultura. Pedia a cabeça do Wlado e de seus companheiros todo fim de semana em São Paulo. Pedia a prisão do Wlado.

Então, a atuação da imprensa [durante a ditadura] foi uma coisa cruel.

BLOG DA CIDADANIA – Então, deputado, mas o senhor me relata a atuação da imprensa nesse período que é, mais ou menos, uma coisa que todos conhecem. Mas na Comissão da Verdade, ao menos pelo que tem noticiado a imprensa, não se fala nada sobre apurar essa atuação da imprensa.

ADRIANO DIOGO – Bom, a atuação da Comissão Nacional da Verdade agora mudou de coordenador. Agora, assumiu a Comissão Nacional o diplomata Paulo Sergio Pinheiro. Antes, era o ex-procurador-geral da República doutor Claudio Fonteles.

Possivelmente, agora eles vão mudar a técnica de abordagem. E eu acho que, uma hora, esse capítulo terá que ser abordado – sempre lembrando que uma coisa foi a imprensa, outra coisa foram certas empresas jornalísticas que emprestaram veículos [para a ditadura transportar presos políticos], [que estimularam] a repressão e tiveram um papel direto [na ditadura]. Um papel direto!

É evidente que essas questões vão ter que ser abordadas. Senão, a verdade não será completa. Vai ser uma comissão de meia verdade. E não existe meia verdade.

Agora, tudo é um processo. Neste ano, no dia 31 de março, o golpe vai fazer 49 anos e nada – ou muito pouco – se sabe do golpe de 64. É um assunto proibido. É muito difícil dizer a verdade no país da mentira.

BLOG DA CIDADANIA – Então, deputado: é muito difícil dizer a verdade no país da mentira. Essa é a grande questão porque, neste momento, a gente vê a grande imprensa dizer que o seu partido, o PT, estaria querendo instalar a censura no Brasil através de posições do partido favoráveis à regulamentação dos meios de comunicação eletrônicos via um novo marco regulatório.

Nesse momento, não seria muito bom que uma Comissão que diz – ao menos diz – que procura a verdade mostrasse ao país qual foi o comportamento dessas empresas de comunicação que hoje estão falando em censura e acusando o seu partido de ser um partido de censores?

Minha pergunta, portanto, é se o senhor não tem nenhuma notícia de uma intenção sequer cogitada no âmbito da Comissão da Verdade sobre uma investigação da atuação da imprensa – ou de uma parte da imprensa – durante a ditadura.

ADRIANO DIOGO – Eu não disse isso. Eu disse que, até o presente momento, não foi abordado o papel da imprensa e das empresas jornalísticas. Eu não estou dizendo, com isso, que não vai ser abordado. Eu não falei isso.

BLOG DA CIDADANIA – Mas, até o momento, não foi?

ADRIANO DIOGO – Até o momento, pelo menos, [acho que] não foi. Mas a Comissão Nacional não divulga o conteúdo do material, dos depoimentos. Isso só vai ser feito através de relatório a ser publicado [ao fim dos trabalhos da Comissão da Verdade]. Até lá, nós [da Comissão Estadual] não temos acesso.

Mas eu garanto ao senhor o seguinte: na Comissão de São Paulo, tudo que estiver ao alcance, tudo que estiver documentado será apurado e divulgado.

Comento que até hoje não se sabe se o dia 1º de abril foi um dia depois do golpe ou o dia do golpe porque até isso os militares mudaram para não caracterizar o golpe como o golpe da mentira, porque o dia 1º de abril é o Dia da Mentira.

Tudo isso vai ser esclarecido porque vão ser abertos ao público todos os arquivos do Estado de São Paulo, o que será uma contribuição nossa – da nossa Comissão, de São Paulo. Faremos com que todos os arquivos do DOPS [Departamento de Ordem Política e Social, órgão repressor da ditadura], de todos os órgãos da repressão do Estado de São Paulo, sejam abertos ao público no [próximo] dia 1º no Arquivo do Estado.

Assim, é evidente que o papel da imprensa, que passa por certas empresas jornalísticas, vai ser apurado.

O que eu estou tentando explicar é que a Comissão da Verdade não é uma Comissão Técnica, ela é uma Comissão do povo brasileiro. (…) Ela não pertence a um grupo de especialistas.

O que estou tentando dizer, portanto, é que a Comissão da verdade é como o movimento brasileiro de Anistia. Um grande movimento popular, em todo o Brasil, nas universidades, nos sindicatos, nos órgãos associativos dos arquitetos, dos engenheiros, dos advogados – como a OAB de São Paulo – para contar essa verdade.

Esse relatório não vai ser um documento que vai ficar numa prateleira. Terá que ser divulgada a participação de todos. Da Fiesp, das empresas jornalísticas, das empresas automobilísticas… Todo aquele que contribuiu com o golpe, como aconteceu na Alemanha nazista, terá que aparecer. O nosso holocausto não pode ser contado pela metade.

BLOG DA CIDADANIA – Pelo que entendo, então, deputado, o senhor não acredita que será possível excluir a imprensa dessa investigação. É isso?

ADRIANO DIOGO – Ninguém poderá ser excluído.


segunda-feira, 18 de março de 2013

Página 12: O jornal que incomoda fardas e batinas


na Carta Capital

Na manhã seguinte ao anúncio de um Papa argentino, o jornal ‘Página 12’ sacudiu Buenos Aires com a manchete: ‘!Dios, Mio!’
Na 6ª feira, dois dias depois, como relata o correspondente de Carta Maior, Eduardo Febbro, direto do Vaticano, o porta-voz da Santa Sé reclamou do que classificaria como ‘acusações caluniosas e difamatórias’ envolvendo o passado do Sumo Pontífice.

Em seguida atribui-as a ‘elementos da esquerda anticlerical’.

Alvo: o ‘Página 12’ .

Com ele, seu diretor, o jornalista Horácio Verbitsky, autor de um livro sobre o as suspeitas que ensombrecem a trajetória do cardeal Jorge Mário Bergoglio, durante a ditadura argentina.

A cúpula da Igreja acerta ao qualificar o ‘Página 12’ como ‘de esquerda’ – algo que ostenta e do qual se orgulha praticando um jornalismo analítico, crítico, ancorado em fatos.

Mas erra esfericamente ao espetá-lo como ‘anticlerical’.

O destaque que o jornal dispensa ao tema dos direitos humanos não se restringe ao caso Bergoglio.

Fundado ao final da ditadura, em maio de 1987, o ‘Página 12’ é reconhecido como o grande ponto de encontro da luta pelo direito à memória na Argentina.

Não foi algo premeditado.
No crepúsculo da ditadura militar, um grupo de jornalistas de esquerda vislumbrou a oportunidade de criar um veículo enxuto, no máximo 12 páginas (daí o nome), mas dotado de densa capacidade analítica.

E, sobretudo, radicalmente comprometido com a redemocratização e com os seus desafios.

A receita das 12 páginas baseava-se num cálculo curioso.
Era o máximo que se conseguiria produzir com qualidade naquele momento; e o suficiente para a sociedade reaprender a refletir sobre ela mesma.

A fidelidade a essa diretriz (hoje o total de páginas cresceu e a edição digital tem mais de 500 mil acessos/dia) levou-o, naturalmente, a investigar os crimes da ditadura.

Seu jornalismo tornou-se um acelerador da transição que os interesses favorecidos pelo regime militar gostariam de maquiar.

Não apenas interesses econômicos.

Lá, como cá, existe um núcleo de poderosas empresas de comunicação, alvo agora da ‘Ley de Medios’, no caso da Argentina, que, por interesse financeiro, identidade ideológica ou simples covardia integrou-se ao aparato repressivo.

Usufruiu e desfruta vantagens dessa intimidade. Até hoje. O quase monopólio das comunicações é uma delas – combatida agora pelo governo de lá.

Naturalmente, a pauta dos direitos humanos dispunha de um espaço acanhado e ambíguo nessa engrenagem.

Não por falta de familiaridade com o assunto.

Mais de uma centena de jornalistas foram presos e muitos desapareceram na ditadura argentina.

A principal fábrica de papel de imprensa do país foi praticamente expropriada de seus donos.

Eles estavam presos, foram torturados. E então a transferência de propriedade se deu.

A sociedade compradora tinha como participantes o próprio governo militar e os principais jornais apoiadores do regime. Entre eles o ‘El Clarín’, de oposição frontal ao governo Cristina, atualmente.
O ‘Página 12’ não se deteve diante das conveniências. E vasculhou esses impérios sombrios.

Fez o equivalente em relação aos direitos humanos em outros países. Não raro, com a mesma mordacidade que incomoda agora o Vaticano.

Quando Pinochet morreu em 2006, a manchete indagava: ‘Que terá feito o inferno para merecer isso?’

A condenação do ditador Videla à prisão perpétua, em 2010, mereceu letras garrafais: ‘Deus existe!’

Foi com essa ironia, debochada, às vezes, mas sempre intransigente em defesa dos direitos humano, que o ‘Página 12’ tornou-se um espaço apropriado pelos familiares dos desaparecidos políticos.

Por solicitação de Estela Carlotto, atual dirigente das Abuelas de Plaza de Mayo, passou a publicar, desde 1988, pequenas atualizações da trajetória familiar de vítimas da ditadura.

Os anúncios sugerem uma espécie de prosseguimento da vida dos que foram precoce e violentamente apartados dela.

Filhos que perderam os pais ainda crianças, mencionam os netos que esses avós jamais viram; avós falam dos bisnetos.

O efeito é tocante. Ao se deparar com a foto de um jovem desaparecido, sabe-se que hoje ele poderia estar brincando com os netinhos, filhos dos filho que agora tem a idade com a qual ele morreu.

Em 2007, o ‘Página 12’ recebeu na Espanha o prêmio da Liberdade de Imprensa, instituído pela Casa da América, junto com a Chancelaria espanhola e o governo da Catalunha.

Motivo: a seriedade na defesa dos direitos humanos e o compromisso com o rigor da informação, requisito da liberdade de expressão.
No momento em que pairam sombras sobre o Vaticano, o que deve fazer essa cepa de jornalismo?

O ‘Página 12’ faz o que, em geral, desagrada aos poderes terrenos e celestiais: investiga, pergunta, rememora.

Ao contrário do que sugere o porta-voz da Santa Sé, não se trata de um cacoete anticlerical.

O assunto extravasa o campo religioso e envolve uma questão de interesse político de toda a sociedade.

Trata-se de uma responsabilidade ecumênica e universal, da qual o ‘Página 12’ não abre mão: o dever de todos, sobretudo das autoridades, de zelar e fazer respeitar os direitos humanos e democráticos dos cidadãos.

Sob quaisquer circunstancias; mas principalmente quando são ameaçados. Como na ditadura dos anos 70/80.

Há dúvidas se o passado do cardeal Mario Jorge Bergoglio nesse campo honra o manto santo que agora envolve Francisco, o desenvolto sucessor do atormentado Bento XVI.

As dúvidas estão marmorizadas em um lusco-fusco de pejo, silêncios e versões contrastantes.

É preciso esclarecer.

Há nomes, testemunhos, relatos, datas e um cenário dantesco: os anos de chumbo vividos pela sociedade argentina, entre 1976 e 1983.

O país do então líder dos jesuítas, Mario Jorge Bergoglio, vivia o inferno na terra, sob a ação genocida de uma ditadura cujos atos confirmam a indiferença aterrorizante dos aparatos clandestinos em relação à vida e à dor.

O que se ouve ainda arrepia.

A mesma sensação inspira o rosto endurecido e gasto dos líderes militares, julgados e condenados. Um a um; em grande parte, graças a pressão inquebrantável das denúncias e investigações ecoadas nas edições do 'Página 12'

Em sete anos, o aparato militar montou e azeitou uma máquina de torturar, matar e eclipsar corpos que operou de forma infatigável.

Nessa moenda 30 mil pessoas foram liquidadas ou desapareceram.

Mais de 4 mil e duzentos corpos por ano.

Filhos de militantes de esquerda foram sequestrados, entregues a famílias simpáticas ao regime.

Muitos permanecem nesse limbo.

No dia em que a ‘fumata bianca’ do Vaticano anunciou o ‘habemus papam’ e em seguida emergiu a figura do cardeal argentino, no balcão do Vaticano, Graciela Yorio esmurrou as paredes de seu apartamento, a 11.200 quilômetros de distancia, em Buenos Aires.

O relato está nos jornais argentinos e também na Folha de São Paulo.

A revolta deve-se a uma certeza guardada há 36 anos na memória dessa sexagenária.

Em maio de 1976, seu irmão, padre Orlando Yorio, foi delatado à ditadura sedenta e recém-instalada.

Juntamente com o sacerdote Francisco Jalics, este vivo, na Alemanha— Yorio ficou cinco meses nas mãos dos militares.

Incomunicáveis, na temível Escola Mecânica da Marinha, adaptada para ser a máquina de moer ossos do regime.

O delator dos dois religiosos teria sido o cardeal Bergoglio -- o Papa, então com cerca de 40 anos, líder conservador dos jesuítas argentinos.

Essa é a convicção de Graciela, baseada no que ouviu do irmão, falecido em 2000, militante da Teologia da Libertação, como Jalics.

Jalics não se pronunciou. Alegando viagem, emitiu uma nota na Alemanha em que se diz em paz e reconciliado com Bergoglio.

A nota compassiva não nega a dor que leva Graciela ainda a esmurrar paredes.

A estupefação tampouco é apenas dela.
Ainda que setores progressistas argentinos optem por uma certa moderação em público, muitas vozes não se calam.

Estela Carlotto, a dirigente das Abuelas de Mayo, em entrevista ao ‘Página 12’ deste sábado, procura manter a objetividade num relato que adiciona mais nuvens às sombras.

Carlotto afirma que o Cardeal Bergoglio nunca fez um gesto de solidariedade para ajudar a luta mundialmente reconhecida das mães e avós de desaparecidos políticos argentinos.
Poderia, mas não facilitou a reunião do grupo com o Papa. Ao contrário.

O primeiro encontro, em 1980, no Brasil, só aconteceu por interferência de religiosos brasileiros.

As abuelas só seriam recebidas em Roma três anos mais tarde; de novo, graças a contatos alheios ao cardeal Bergoglio.

Prossegue Estela Carlotto.
O cardeal teria sido conivente com o sequestro de pelo menos uma criança nascida na prisão.




Procurado por familiares da desaparecida política, Elena de la Quadra, teria aconselhado: ‘Não busquem mais por essa criança que está em boas mãos’.

E desfechou sentença equivalente em relação às demais.

O ‘Jornal Página 12’ tem sido o principal eco desses relatos e dessa revolta, que muitos relativizam e gostariam de esquecer.

O que o jornal faz ao investigar as dúvidas que pairam sobre Francisco é coerente com o 'manual de redação' sedimentado na prática da democracia argentina nesses 25 anos de existência: não sacrificar a memória ao conforto das conveniências.

Pode soar anticlerical a setores da Igreja que gostariam de esquecer o que já se cometeu neste mundo, em nome de Deus.

Mas é um reducionismo improcedente, que se dissolve na trajetória reconhecidamente qualificada do 'Página 12'.

Na Argentina, graças à persistência de vozes como a de seus jornalistas, a memória deixou de ser o espaço da formalidade.

Hoje ela é vista como um pedaço do futuro. Um mirante poderoso para se entender o presente e superar as forças, e a lógica, que esmagaram a sociedade no passado.

Carta Maior orgulha-se de ser parceira do jornalismo criterioso e corajoso de ‘Página 12’ no Brasil.

Randolfe Rodrigues: Cai mais um "mosqueteiro da ética"



247 - A carreira do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) como "mosqueteiro da ética", num lugar que já foi do ex-senador Demóstenes Torres, pode estar chegando ao fim. Neste papel, que constuma gerar alguns segundos de fama, Randolfe alimentava até a esperança de disputar a presidência da República, em 2014. Mas antes ele terá de explicar um mensalão, muito bem documentado.

Antes de ser senador, eleito em 2010 pelo Amapá, Randolfe foi deputado estadual em Macapá, ajudando a dar sustentação ao governo de João Capiberibe (PSB-AP), que também se elegeu para o Senado na última eleição. Ambos foram recentemente denunciados à Comissão de Ética do Senado Federal pelo ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amapá, Fran Soares Nascimento Junior, numa peça gravíssiva.

Fran acusa Capiberibe de ter pago, durante seis meses, um mensalão de R$ 20 mil/mês a vários parlamentares, para garantir a sustentação de seu governo.

Diz que ele próprio recebeu os recursos e afirma que Randolfe Rodrigues também colocou no bolso o dinheiro ilegal.

Mais: Fran diz ainda que Randolfe chegou até a assinar recibos, que ele apresenta na denúncia.

Tais recursos faziam muita diferença para os parlamentares estaduais, uma vez que o salário de um deputado no Amapá, naquele momento, era de R$ 5.274,87. Randolfe elevou em R$ 20 mil seus rendimentos, de forma ilegal, nos meses de julho a dezembro de 1999. Na denúncia, Fran apresenta também gravações, em que o ex-governador Capiberibe fala claramente que "vinte mil fica com o deputado".

Graças a este mensalão, Capiberibe conseguiu cooptar a Assembleia, que lhe fazia oposição e aprovou suas contas. Naquele ano, o relator que garantiu essa aprovação foi justamente Randolfe Rodrigues.

A denúncia, enviada pelo deputado Fran ao conselho de ética do Senado Federal, foi apenas encaminhada pela casa ao lugar de direito, que é a Procuradoria-Geral da República, de Roberto Gurgel. No entanto, ao noticiar, nesta manhã, o caso, a Folha de S. Paulo protege Randolfe e acusa o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), de enviar à PGR uma denúncia contra seus desafetos (leia mais aqui).

Quem tem que se explicar, agora, são os senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e João Capiberibe (PSB-AP).

Ambos são apontados na denúncia do deputado Fran Nascimento como integrantes de uma quadrilha que sonegou impostos, cometeu os crimes de corrupção ativa e passiva, prevaricação, peculato, quebra de decoro parlamentar e, claro, formação de quadrilha.

Ao contrário da denúncia encaminhada por Gurgel na Ação Penal 470, o mensalão do Amapá é extremamente bem documentado.

No comprovante de pagamento, Randolfe Rodrigues atesta que recebeu da Assembléia o valor complementar ao seu salário, que não tinha nenhuma previsão legal. Ou seja: é um caso de cooptação de parlamentares, com recibo.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Bob Fernandes: "Ninguem se iluda com este deputado, ele é um homem perigoso para a democracia"



Discordo do Bob Fernandes em relação ao Pastor Feliciano ter o direito de defender suias posições homofóbicas e racistas.

Ninguém tem o direito de ter posições homofóbicas e racistas.

Pra mim isso é crime de preconceito, previsto na Constituição Federal.

Quanto ao Bolsonaro, nada mais me surpreende em relação a esta fascinora.

Ficaria surpreso se os parlamentares cassarem o mandato deste pulha.

Mais iguais ao Bolsonaro, existem vários deputados, claro que não defendendo suas posições assim abertamente.


quinta-feira, 14 de março de 2013

Bolsonaro agride gays na Comissão de Direitos Humanos da Câmara.


Dias tristes estes que estamos vivendo.

Deixando correr o bate boca livremente deputado pastor racista e homofóbico Feliciano que presidia a tumultuada sessão, mostrou a que veio. 

Cassou a palavra da deputada Erika Kokay, fez ouvido de mouro as questões de ordem solicitadas pelos deputados que fazem oposição a sua indicação.

Também foi montado um verdadeiro esquema de guerra para cercear a participação de militantes dos direitos humanos.

Uma tropa de choque composta por evangélicos foi convocada a participar da sessão, onde ocuparam as cadeiras destinadas ao publico, deixando os militantes do movimento gay em pé na plenária.

Quero deixar claro, não sou contra evangélicos, nem contra qualquer outro tipo de fé, só acredito que em todos os lugares, há pessoas coerentes e incoerentes. 

O problema pra mim não é ter um espaço historicamente ligado a defesa dos direitos de minorias ser ocupado por um evangélico, ou um católico, umbandista ou seja lá o que for. 

A minha repulsa é este espaço de luta ser ocupado por fundamentalistas, por aqueles que deixam claro suas posições contrarias aos direitos das minorias, dos discriminados.

Incoerencia pura


E Bolsonaro, aquele mesmo que defende a ditadura militar (que cerceou os direitos humanos no Brasil na época da ditadura) homofóbico, racista e reacionário, que acredita que Direitos Humanos serve pra defender bandidos estava se sentindo em casa na Comissão.



Com palavrões, insultos, o deputado "confrontou" militantes gays que acompanhavam a reunião da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara.

"Nós evitamos que esta porcaria (fazendo alusão à comissão dos Direitos Humanos) ficassem com vocês."- declarou Bolsonaro -  “acabou a festa gay” - completou.

Já passou da hora desse imbecil do Bolsonaro ser cassado pelos seus pares na Câmara.

Por esta e por outras atitudes que não comungam com o espírito democrático em que vivemos. Por cometer crimes de racismo, de intolerância  de homofobia, todos expressos na Constituição Federal.

Enfim seu curriculo (ou melhor ficha corrida) o torna indigno de representar o povo brasileiro no Parlamento.


Lamentável!








Papa Bergoglio e a ditadura militar Argentina


Alicia De la Cuadra, primeira presidente da Associação Avós da Praça de Maio, durante a busca por sua neta, contou que Bergoglio teria lhe dado uma carta na qual dizia que o bispo argentino Mario Piqui intercederia no caso. Porém, após o contato com os militares, o bispo teria afirmado ao casal que a criança estaria com um “matrimônio bom” e que não tinha como “voltar atrás” com a suposta adoção. Foto: Aporrea

do Opera Mundi

Recém-eleito papa, o argentino Jorge Mario Bergoglio é acusado de ter sido cúmplice de crimes cometidos pela ditadura cívico-militar de seu país (1976-1983). Arcebispo de Buenos Aires, o cardeal chegou a ser convocado para testemunhar em julgamento sobre a desaparição de sacerdotes durante os anos de terrorismo de Estado.

Em 2011, durante as audiências do processo sobre o plano sistemático de roubo de bebês – nascidos em prisões clandestinas, durante a ditadura, e adotados ilegalmente por outras famílias, em sua maioria próximas a autoridades militares –, Bergoglio chegou a ser citado para declarar, após testemunhas apontarem que ele estava ciente deste tipo de crime.

“Como é que o Bergoglio diz que só sabe do roubo de bebês há 10 anos?”, questionou em uma audiência Estela de la Cuadra, que apresentou ao tribunal cartas de seu pai ao arcebispo, agora papa, nos quais pedia que este intercedesse na procura por sua filha desaparecida, e de sua neta, que nasceu em um centro clandestino de prisão e tortura da ditadura.

Segundo o depoimento de Alicia De la Cuadra, primeira presidente da Associação Avós da Praça de Maio, durante a busca por sua neta, Bergoglio teria dado a ela uma carta na qual dizia que o bispo argentino Mario Piqui intercederia no caso. Após o contato com autoridades policiais, no entanto, o bispo teria afirmado ao casal que a criança estaria com um “matrimônio bom” e que a suposta adoção já não tinha como “voltar atrás”.

Além dos indícios de cumplicidade no esquema de roubo e apropriação ilegal de menores, Bergoglio deveria declarar acerca da morte de religiosos durante a repressão, o que foi realizado por meio da visita de juiz à casa do religioso.

Em entrevista à televisão pública argentina, o jornalista Horacio Verbitsky, que publicou diversos livros com temáticas relacionadas à ditadura argentina e a Igreja Católica, afirma que, em audiência ante os tribunais, Bergoglio negou informações concedidas a ele em uma entrevista.



“Tenho detalhes de uma ilha chamada El Silencio, no [delta do] Tigre, que foi vendida pelo episcopado argentino para a Marinha, para servir como centro clandestino de prisão. Mas isso foi negado pelo cardeal perante os juízes”, afirmou o jornalista. “[Ele] negou fatos que eu tenho claramente documentados”, disse Verbistky.

Além disso, Bergoglio foi acusado pelas Mães da Praça de Maio de ter facilitado o sequestro dos sacerdotes jesuítas Francisco Jalics e Orlando Yorio. A versão é corroborada por Verbistky: “[Ele] era chefe da Companhia de Jesus, às quais eles pertenciam, mas em vez de protegê-los, lhes tirou a proteção eclesiástica e poucos dias depois foram sequestrados”.

“Ele os denunciou por estarem vinculados com a subversão e de terem desobedecido seus superiores hierárquicos”, continuou o jornalista, afirmando que a informação está documentada na chancelaria argentina.

Em audiência sobre crimes cometidos na Escola de Mecânica da Marinha (Esma), centro de detenção clandestino da ditadura, a ex-presa e desaparecida María Elena Funes relatou que o arcebispo de Buenos Aires tinha proibido um dos jesuítas de atuar como padre na região de Bajo Flores, no sul da capital argentina, por razões ideológicas.

Berglogio foi denunciado pela primeira vez por cumplicidade com crimes da ditadura em 1986, no livro Igreja e Ditadura, escrito por Emilio Mignone, autor defensor dos direitos humanos que teve sua filha desaparecida.

Com informações dos jornais Página 12 e Tiempo Argentino

quarta-feira, 13 de março de 2013

Dom Odilio vascaíno, é vice!


Dom Odilio é vascaíno, tá explicado.

Sei que parece infantilidade, mas já que o pessoal ta levando a "eleição" do Nazista porteño na esportiva, o Dom Odilio ficou de vice.

Tá explicado!

Vascaíno é vice aqui, na Italia, no Vaticano...

Pau que bate em Chico, bate também em Francisco

Cardeal Bergoglio acusado de roubar bebês para Ditadura.

O novo Papa, Cardeal Bergoglio, foi eleito nesta quarta-feira 13/03/2013. O fumo branco saiu às 18h06 da chaminé da Capela Sistina, indicando que um nome recolheu os votos de dois terços dos cardeais.

Opõe-se ao aborto e à eutanásia, mantém a posição da igreja relativamente à homossexualidade e condenou fortemente a legislação para permitir o casamento gay na Argentina, introduzida em 2010, mas sublinha a importância de respeitar as escolhas individuais.

Jorge Mario Bergoglio é um teólogo conservador.

A acusação ea Avós da Plaza de Mayo hoje alegou no tribunal que julga o plano sistemático para o roubo de bebês nascidos em cativeiro para ser chamado para depor Cardeal Primaz da Argentina Jorge Bergoglio, que hoje foi novamente mencionado em tribunal por crimes contra a humanidade.

O chefe da Igreja Católica Argentina foi mencionado em conexão com o caso do nascimento e da apropriação da neta de um dos fundadores das Avós da Plaza de Mayo, Alicia "Licha" no bloco.

Uma filha Licha do alto, que morreu em 2008 aos 93 anos, ele pediu à Justiça Federal em junho, que juízes, incluindo o ex-ditadores Jorge Videla e Bignone Reynaldo para a apropriação das criaturas desapareceu filhas, que convocado a prestar depoimento como testemunha de Bergoglio."Esta é a terceira vez que eu pedir a um tribunal:? Citaremos a declarar ou não vamos citar a declarar" Exigiu Estela de la Cuadra, irmã Elena de la Cuadra, agora mãe, defunto " Ana ", a criatura que nasceu em cativeiro em 16 de junho de 1977, na estação de 5 de La Plata.
Quando perguntou à testemunha, o presidente do tribunal, a juíza María del Carmen Roqueta, respondeu que "agora não podemos resolver nada", mas no final da audiência, as queixas, incluindo as Avós, eo advogado Martin Nicklinson , perguntou Bergoglio ser chamado a depor no caso.

A criatura também é filha de Carlos Baratti, um trabalhador da YPF, cujo corpo foi encontrado em um resort na costa do Atlântico, depois de ser jogado no mar nos chamados "voos da morte", identificado há dois anos pelo argentino Antropologia Forense.Ela lembrou que, no caso de crimes cometidos na ESMA juiz do Tribunal Oral maio, que incluem Alfredo Astiz, foi criada no episcopado a tomar testemunho Bergoglio, diligência em que ele disse que tinha aprendido "faz cerca de dez anos que tinham desaparecido ", a uma pergunta feita a ele pelo conselho querelllante Myriam Bregman.

"Essa é a graça das coisas que esses homens e mulheres (mães, avôs e avós que procuravam seus filhos e netos) fez", a mulher repreendeu Bergoglio que admitiu que "não sabe onde", mas ele pode proporcionar "o que o que aconteceu e mecanismos "que foram implementadas durante a ditadura.

Regard repreendeu o tribunal eo Ministério Público sobre se tinham a intenção de pedir ao mais alto dignitário da Igreja Católica Argentina "o que aconteceu com Ana sobre o bloco" e se "não Bergoglio mandados de responder a essa pergunta em um tribunal que está a julgar um plano sistemático de roubo de bebês.

"A partir de (Jorge) Videla lá, mas também tinha responsabilidades para os lados", disse ele.Ele também estava convencido de que, em seu depoimento na audiência demonstraram que a Igreja estava ciente do que estava acontecendo com os bebês desapareceu, e citou uma carta de 1979 a bispos que o proprietário, o então Arcebispo de Córdoba Raúl Francisco Primatesta respondeu aos avós, dizendo que era muito pouco que pudesse fazer sobre isso.
Ele argumentou ainda que Bergoglio não poderia argumentar porque era ignorância pública ", como revelou o desespero dessas pessoas pelo desaparecimento de seus filhos."

"Isso é absolutamente imoral", disse a testemunha que é o demandante, no caso, e desde extensa documentação sobre o curso que seguiu as Avós da Plaza de Mayo desde 1977, chamando para o surgimento de netos desaparecidos desde 1976.

Tais afirmações também mencionados pedidos individuais feitos antes entidade pai fundador, e incluindo entrevistas com Bergoglio mencionado quando era Provincial da Ordem dos Jesuítas dos jesuítas.

Nesse sentido, explicou que por causa de sua família foi um dos fundadores da cidade de Balcarce, terreno doado para a igreja e depois do seqüestro de sua irmã grávida, seus pais procuraram ajuda de vários estratos, também alegando falta o outro irmão José Roberto.

http://minhalapaminhavida.blogspot.com.br/2013/03/cardeal-bergoglio-acusado-de-roubar.html

Papa cúmplice da ditadura militar argentina

http://cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21612

http://noticias.uol.com.br/ultnot/afp/2005/04/15/ult34u123308.jhtm

http://revistabarcelona.com.ar/bergoglio-recupera-la-ilusion-ojala-esta-vez-el-vaticano-valore-mi-colaboracion-con-la-dictadura/

http://histriabemcontada.blogspot.com.br/2011/05/o-cardeal-bergoglio-e-os-trinta-anos-do.html

Papa argentino? Agora que o Galvão Bueno se descabela



Não que eu dê muita importância ao conclave, essa festa da "democracia medieval", mas convenhamos, trocaram o seis por meia dúzia.

Pesavam contra Bento seu apoio aos Nazistas na 2ª Grande Guerra.

Pesa agora contra Chico seu apoio a ditadura na Argentina.

A Igreja Católica continua a mesma coisa.

Fortalecimento de entidades conservadoras como a Opus Dei.

Defesa de opiniões arcaicas, ultrapassadas, como a questão do aborto, a questão das celulas tronco, os meios contraceptivos...

E pior, um Papa argentino... agora que o Galvão Bueno se descabela!

Bom se isso acontecer, esta "eleição papal" vai nos trazer ao menos uma alegria!

Uma singela opinião sobre o conclave, "democracia" medieval

Arte do meu amigo Magelinha.

Pra mim a escolha do papa não interfere em nada.

Respeito todas as religiões, apesar de não ter nenhuma.

Mas há semanas, vemos a "cobertura" da mídia em relação a "eleição" do novo Papa.

São pouco maios de cem cardeais que irão escolher o "governante" de milhões de católicos pelo mundo afora com praticas pra lá de medievais.

Fazendo um paralelo à "ditadura populista" de Hugo Chavez, recém falecido que foi eleito, reeleito, organizou plebiscitos, consultas populares na Venezuela e a "festa democratica" do Vaticano, onde pouco mais de cem cardeais escolhem o governante de milhões de católicos no conclave, observamos a miopia coletiva que afeta os barões da mídia e seus empregados.

É não resta dúvida que eles vivem sob a égide da "democracia medieval"...